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Há um tipo de tristeza que não grita. Ela se esconde nos gestos pequenos, nos silêncios entre uma palavra e outra, na maneira como os olhos perdem o brilho ao longo do dia. Essa tristeza não precisa de motivos óbvios. Ela apenas existe. Como se fizesse parte da carne, do sangue, da essência. Uma melancolia que nasce no fundo da alma e se espalha devagar, até que tudo o que resta é esse vazio apertado no peito.
Eu acordo e já sinto o peso. Antes mesmo de abrir os olhos, o dia me parece maior do que eu posso suportar. Há uma exaustão que não passa com o sono. Um cansaço que vai além do corpo — ele habita a alma. E mesmo quando sorrio, mesmo quando faço piadas ou tento parecer inteira, há algo em mim que está sempre despedaçado.
Às vezes me pergunto se as pessoas ao meu redor percebem. Se conseguem ver que por trás de cada gesto há uma tentativa desesperada de permanecer de pé. Ou se enxergam apenas a superfície — essa máscara treinada de normalidade que aprendi a usar tão bem.
Sinto medo. Medo de não ser suficiente, de não ser amada, de ser esquecida. Medo de falar demais, de calar demais, de decepcionar. Medo de nunca ser realmente compreendida. E, ainda pior, medo de não conseguir mais me compreender.
A ansiedade é um nó na garganta. Um aperto constante no peito. É o pensamento que nunca silencia, que sussurra mil possibilidades de tragédia enquanto tento apenas viver. É imaginar o pior mesmo quando tudo está calmo. Porque a calma, para mim, é o prelúdio da tempestade. E eu sempre espero pela dor, como quem já perdeu tudo uma vez e nunca mais conseguiu confiar na alegria.
Créditos Finais
Texto, Sentimentos e Alma por Lyly Oak.
Este texto foi escrito nos intervalos entre as dores e os silêncios. Se ele alcançou seu coração, então ele cumpriu seu papel.