https://music.youtube.com/watch?v=uNuMH2i6wdI&si=I0Y2UPQxlfx7nNhq


O salão resplandecia com o brilho de centenas de candelabros, e o som da valsa preenchia o ar, misturado ao murmúrio de vozes e ao tilintar das taças de cristal. A aristocracia de Valmoria se reunia naquela noite para celebrar o aniversário da princesa Clarisse, mas o verdadeiro motivo daquele evento era outro: alianças seriam formadas, casamentos seriam sugeridos, e, para muitas mulheres, seu destino seria selado sob os olhares atentos da corte.

Lady Evelyne D'Armont, filha do Duque de Rivorn, estava entre elas. Envolta em um vestido cor de vinho, com um corpete que realçava suas curvas e rendas que mal escondiam sua pele, ela era uma visão que arrancava suspiros dos cavalheiros. Mas Evelyne não se importava com seus olhares. Seu coração, sua alma e seus desejos pertenciam a algo muito além das formalidades daquele baile.

Foi então que ela apareceu.

Uma mulher envolta em um vestido negro como a noite, feito de um tecido que parecia absorver a luz das velas. A Marquesa Lisseth de Noiremont. Uma nobre envolta em mistérios e rumores. Diziam que ela vivia em um castelo afastado, cercado por rosas negras que nunca murchavam, e que seu sangue carregava um traço de magia antiga. Diziam que os homens que tentavam possuí-la desapareciam sem deixar vestígios.

Evelyne nunca acreditara em superstições. Mas, quando seus olhares se cruzaram, sentiu como se uma corrente elétrica percorresse sua pele.

Lisseth sorriu, e Evelyne sentiu sua boca secar.

— Não gosta de bailes, Lady Evelyne? — A voz da marquesa era um sussurro sedoso, perigoso.

Evelyne ergueu o queixo.

— Gosto de muitas coisas, Marquesa. Mas jogos entediantes não estão entre elas.

Lisseth riu suavemente.

— Então talvez devesse procurar algo mais excitante.

Evelyne sentiu um arrepio percorrer sua espinha quando a mão enluvada da marquesa roçou de leve seu pulso antes de se afastar na multidão. Um convite silencioso.

E Evelyne jamais recusaria um desafio.