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A luz dourada do sol atravessava as cortinas pesadas do quarto real da embaixada, banhando o rosto de Lissethe enquanto ela se espreguiçava devagar. Seus dedos buscaram, instintivamente, a mão de Lewis ao lado — e encontraram apenas lençóis frios. Sorriu, imaginando-o já acordado, talvez na varanda, saboreando o café como fazia toda manhã, com aquele ar de nobreza insolente que o tornava tão... ele mesmo.

Lissethe, princesa herdeira do Reino de Avelar, estava em turnê real por territórios do antigo império, acompanhada de seu marido, Lewis de Glavern — príncipe deposto de um reino esquecido após a guerra civil. Ele havia recuperado o título ao se casar com ela, mas não o suficiente para silenciar os sussurros da corte. Havia quem o visse apenas como um belo adorno de cabelos dourados e olhos penetrantes. Mas Lewis era muito mais do que isso — e fazia questão de provar.

Naquela manhã em Novera, tudo parecia em perfeita ordem. O povo os aplaudia nas ruas, os jornais estampavam suas imagens sorridentes, e Lissethe sentia-se, pela primeira vez em muito tempo, leve. Ela havia se casado por amor — algo raro entre as realezas — e, apesar das pressões e olhares, Lewis fazia tudo valer a pena.

Mas então a carta chegou.

Selada com o brasão real e entregue pelas mãos trêmulas de um oficial, a mensagem dizia em letras firmes:

“Sua Majestade, o Rei Asther de Avelar, faleceu esta madrugada em seu sono. Que Deus o receba.”

O chão pareceu ruir sob os pés de Lissethe. O mundo como conhecia terminava ali. Ela não era mais apenas a filha. Era agora... rainha.


O retorno ao Reino de Avelar foi silencioso. O avião cortava os céus cinzentos enquanto Lissethe fitava a janela sem ver nada, os olhos marejados, a mão apertando um lenço bordado de infância. Lewis estava ao lado, inquieto, mexendo os dedos, o olhar perdido. Ele odiava ficar sentado por tanto tempo. Odiava ainda mais a ideia de voltar com uma nova etiqueta: príncipe consorte. Abaixo dela.

No palácio, foi recebida com reverência e um protocolo frio. Seu novo secretário real, sir Hadrian Melmont, já estava à espera.

— Majestade — disse ele com a voz baixa e precisa — a cerimônia será marcada para daqui a quarenta dias, tempo necessário para o luto oficial. E... precisaremos conversar sobre a posição de Sua Alteza Lewis.